quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

                                              
                                         
                                                        “ O Corvo” 
                                                e
                         " A Filosofia da Composição”   


1- Faça um comentário sobre o símbolo mais importante do poema “ O Corvo”, a saber o próprio corvo e o busto de Atena.
R- O busto de Atena tem a função de transmitir ondas, como se fizesse ligações dos vivos com o além. O “Corvo” é um pássaro noturno que é visto como ave de mau agouro, dando ao conto um ar sombrio ao conto.


2- “O Corvo” possui uma atmosfera de fatalidade sombria. Discuta como essa atmosfera é criada, observando o tema, as rimas, a métrica, os símbolos e a escolha das palavras.
R- O “ Corvo” foi escolhido por ser uma ave de mau agouro, como o poema é de tom melancólico, a ave se tornou um simbolo sombrio, penetrante e assombroso. Em relação as rimas e as métricas, mesmo reconhecendo que no ritmo puro existe pouca possibilidade de variação, é evidente que as variedades em matéria de metro e estância são infinitas; só através de muito trabalho pode-se encontrá-la, e embora seja um mérito positivo da mais alta categoria, o espirito de invenção participa menos que o de negação para chegarmos até ela.


3- No ensaio “ A Filosofia da Composição”, Poe explora os processo que usou para escrever “O Corvo”. Como o poema consegue ser fiel aos preceitos da poética estabelecida no ensaio, a saber, efeito único, brevidade, a beleza e o tom de tristeza e melancolia?
R- Ele, Poe, quis fazer algo diferente, algo original, por isso consegue manter o tom de tristeza e melancolia, pois ele foi simples, direto, original e fiel ao seus objetivos.


4- Analise a atmosfera de terror e melancolia de “O Corvo”. Identifique os elementos que criam esta
atmosfera( escolha das palavras, cadeia dos eventos, e a repetição da palavra “ nada mais” ( na tradução de Fernando Pessoa) e “ never more” ( no original).
R- Em busca do som do estribilho, era necessário eleger uma palavra que estivesse harmoniosamente de acordo com a melancolia, seria impossível não deparar com a palavra never morer( nunca mais). Agora a dificuldade consistia em conciliar a monotonia aludida com o exercício da razão na criatura chamada para repetir a palavra. O corvo foi escolhido, ave de mau agouro, repetindo obstinadamente a palavra “never more” em um poema de tom melancólico e extensão de cerca de cem versos.


5- Que tipo de efeito o cenário do poema provoca? Observe o espaço e a ambientação( a biblioteca, o fogo, a época do ano, a luminosidade).
R- Provoca um suspense melancólico, provoca curiosidade pelo fato do amante aguardar uma resposta do corvo, provoca medo quando o corvo falava “nerver more” e provoca uma sensação tormentosa no leitor no momento em que o amante manda o corvo ir embora, no entanto, o corvo, ave de agouro, se recusa ir embora.


6- Demonstre, com base no ensaio “ Filosofia da Composição” como a forma e o esquema das rimas são partes integrantes do tom e do tema do poema, ou seja, como a estrutura ajuda a criar um crescente senso de fatalidade sombria.
R- No ensaio “ Filosofia da Composição” o ritmo é fundamental para dá vida a melancolia da obra, no entanto, a morte de uma bela mulher é, sem dúvida alguma, o tema mais poético do mundo, principalmente quando um amante que chora por sua amada morta e um corvo que repete continuamente a palavra “nervermore”(nunca mais). O primeiro é trocaico; o segundo, um octâmetro acatalético, alternando-se com um heptâmetro catalético que, repetindo-se, vai se converter em estribilho no quinto verso, finalizando com um tetâmetro catalético. O primeiro verso da estância é composto de oito pés, o segundo, de sete e meio; o terceiro, de oito; o quarto, de sete e meio; o quinto, também de sete e meio; o de oito; o quarto, de sete e meio; o quinto, também de sete e meio; o sexto, de três e meio.
                                                 
                            
             
                                       
                                 O Primo  Basílio

 1.Seria possível reconstituir a aparência física de Juliana? Em sua opinião, por que o narrador assim procede ?
Sim, seria possível. Ainda admite-se que, em muitas vezes, Juliana depara-se com a necessidade de decidir-se face a face da colisão de valores: se permanece com as atitudes de criada malcriada é, portanto, agente de rebeldia humana sua malvadeza; se suas atitudes são de criada subserviente, ressalva os valores da temeridade, da passividade aos sofrimentos terrenos, agente, pois, de bondade, generosidade . Diante dessa dicotomia, a personagem passa por terríveis conflitos, ao mesmo tempo em que vive e revive fronteiras desses valores, maldade, bondade, generosidade e enfrenta situações limite em que aspectos são tidos como essenciais da própria realidade do humano. Essa dicotomia da personagem Juliana representada como moeda sociopolítica, é construída por um Eça sob os moldes do sentido ideológico da escrita realista; conforme Benjamim Abdala et al (1990, p. 104) “o primeiro desses moldes visava à critica ao tradicionalismo vazio da sociedade portuguesa. É perceptível desde então que, o espaço, no qual Juliana se insere define-se como um modelador de suas características, sendo compreendido na assertiva naturalista de que o homem é o produto do meio.


2. Juliana alimenta alguns sonhos. quer ter um negócio, uma tabacaria, uma loja de quinquilharias - ela quer governar ; ser patroa .De que natureza são os sonhos de Juliana?
Juliana, sentindo-se maltratada por todos os patrões que servira, não suportava mais sua condição de doméstica, por isso ansiava por sua independência: queria ser patroa dona de algo que lhe dar autonomia. Os métodos para conquistar sua emancipação não foram legítimos, mas a chantagem lhe valeria a liberdade. A sua aspiração era ter um negócio que a libertasse das tiranias do serviço doméstico que sofria à vinte anos. A doença fá-la perder as economias que juntara, aumentando-lhe a revolta e o despeito.


3.O narrador de O primo Basílio é onisciente e onipresente, isto é, domina todos os fatos e está em todos os lugares da narrativa. Em certo momento da
descrição de Juliana, ele parece ter uma profunda simpatia pela criada. Você concorda com essa afirmação? Se a resposta for afirmativa, aponte o trecho simpático à personagem.
Sim. O sociopolítico de Juliana é a representação em seus aspectos fragmentários do ideário crítico de Eça transposto num incessante sentimento de inferioridade psíquica transmutado no inconformismo; ela é a evocação do contexto pobre, simplista (a marginalidade social), mas que, suficiente e convincente, detém poder de expor feridas, o podre burguês.
Ela não sofre apenas e simplesmente de uma oposição entre classes; ela é em si mesma, o fazer e o não fazer, o ser e o não ser coexistem com intenções do fazer/ser o núcleo e extremos das situações desenroladas no interior do romance.


4.Observe que o narrador se deteve bastante na figura da criada Juliana:mostrou que ela desde pequena assistira ao trabalho servil de sua mãe ;que logo ela mesma foi empregar –se como doméstica ; que nunca se acostumava a servir ; que o trabalho diário a embrutecera. Que tipo de tese o autor quer provar?
Juliana se mostra filha desconforme do despeito, do ódio surdo, da inveja, com seus ingênuos arrebiques, seus chibantismos de filha do povo, desprezada do amor e da sorte, viril, magra, seca, venenosa. Tudo isso como espécie de mecanismo para o seu pleno funcionamento nas malhas da narrativa, podendo mesmo vir ser representações de tipos sociais, com seus costumes e valores constituímos o objeto de análise a que pretendemos discutir: a personagem Juliana como faceta ou mesmo representação sociopolítica na obra queirosiana O primo Basílio.


5.Embora seja uma personagem secundária ,Juliana concentra em si uma força dramática muito grande. Ela é uma das personagens mais vivas de Eça de Queirós. A sua história e o seu mau caráter possuem muita autenticidade. Por que ela sobressai em O primo Basílio?
Uma personagem que deveria ser considerada secundária, mas que se destaca de todas, pela importância que progressivamente adquire na narrativa. Eça torna visível o caráter ficcional de seu texto. Não que uma ficção venha depender das personagens para definir-se enquanto tal, mas “o critério revelador mais óbvio é o espistemológico, através da personagem, mercê da qual se patenteia (...) a estrutura peculiar da literatura imaginária.” (CÂNIDO, et al. 2002, p.27). Encontramos em personagem Juliana, a criada em revolta secreta contra sua condição, ávida de desforra, a personagem em questão da obra queirosiana, condições mais que necessárias das já expostas para a entendermos como reflexo ou símbolo de tipos sociais. As representações que nela encontraremos têm maior coerência do que as pessoas reais, não as
desmerecendo, mas a personagem de ficção – e incluímos Juliana – carrega maior significado e, paradoxalmente, também maior riqueza, em virtude da concentração, seleção, densidade e estilização do contexto imaginário que reúne os destinos das outras personagens no intercurso textual. Juliana constitui mesmo espécie de elo que carreia para o desfecho, o fim da trama, a figura que concentra os fios dispersos e esfarrapados de uma realidade num padrão firme e consistente.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

                                      





                                        



                                           Apenas mais uma carta de amor
Certa ocasião estávamos a conversar e você me disse que quando encontrasse a mulher de sua vida, iria casar e com ela teria três filhos. Isso ficou marcado em minha memória de certa forma. Esse dia chegou. Desde então tudo mudou, afinal acordei de um grande e imaginário sonho...
As pessoas falam que o amor acaba, termina, mas não é a verdade...
 Nada acaba...dura.
 Continua e se transforma em outros sentimentos, seja ódio, amizade, ressentimento, compreensão, mágoa...
 Enquanto o tempo  passava eu vivi a minha vida a espera de um milagre, que um dia você fosse só meu e eu não mais seria só  mais uma de suas conquistas sem compromisso e sem respeito. 
Parece que mil anos se passaram...
 Neste ínterim eu rezava e pedia a Deus para protegê-lo cada vez que você ia trabalhar, pois se algo lhe acontecesse eu morreria também. Em meio a esta oração passava um filme de nossas vidas em minha cabeça: de quando nos encontramos pela primeira vez, dos momentos de descontrações, de viver intensamente as horas de amor e vi nós dois juntos no casamento do seu amigo, também vi estampado em nós, o medo, a coragem de se entregar a simples e único momento,
 a salto sem redes de tantas e tantas vezes...
 A isso eu denominei amor...
Vi você indo embora, sendo levado de diferente formas, tantas vezes, que até perdi a conta.
 Depois vi você voltando nem que por frações de minutos e no fundo dos seus olhos, como num rio, tudo o que a gente não tinha vivido.
 A partir daí de certa maneira ficamos divididos entre  dois amores, entre duas vidas, uma que já estávamos vivendo e outra que jamais tínhamos podido viver.
seguindo essa linha de pensamento eu entendi que não havia mais divisão nenhuma, era pura ilusão de minha cabeça,
 pois o que tinha sido vivido, o que tinha ficado para trás, tudo era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento: LEMBRANÇAS,
 e neste momento eu já via a gente cruzando fronteira, foi como se  tivesse alcançado o outro lado daquela igreja, eu não mais estava ao seu lado apadrinhando o casamento e sim sentada no último banco analisando tudo que passava a minha volta. 
Finalmente sem escapes eu consegui me manter firme e forte a todo esse tempo, descobrindo que todos esses anos que pareciam estar parados a nos esperar, na verdade foi fruto de minha ingenuidade, porque ao contrário de mim, o outro lado da fronteira você já havia cruzado.
Hoje sinto-me liberta de tantas fantasias,
 sonhos antigos e esperanças desfeitas.
Parece que a vida esta sempre mudando os nossos planos e nos fazendo achar que estamos perdidos.
 Então ela vem de novo e mostra um novo caminho, uma razão para recomeçar, novos motivos para acreditar que ainda dá para ser feliz.
 Você já achou sua felicidade, seu caminho, entretanto para mim, existem novos sonhos do lado de cá da fronteira que agora eu preciso viver, sem as sombras do passado.


                                                      

                                            


                                          



                                                                               



                                                 A literatura em crise

Algumas marcas da pós-modernidade podem ser identificadas nas obras literárias da atualidade, como:

* A eliminação das fronteiras entre a arte erudita e a popular
- O desenvolvimento de novas tecnologias de reprodução e difusão da arte (fotografia, rádio, cinema, televisão, vídeo, computador) fez com que a separação entre a arte considerada culta e a dita arte popular fosse desaparecendo.
* O ecletismo
- Como o principal objetivo da arte pós-moderna é a sua comunicabilidade, ela promove a incorporação de todos as estéticas passadas, amalgamando-se de modo inovador.
* O niilismo (nada)
- o ser humano da sociedade pós-moderna não acredita em nada, tendo abandonado as ilusões que animaram a existência humana em momentos históricos anteriores ( a relação, o progresso, a consciência). Seu grande “Deus” é o consumo. 
Nietsche é o filósofo inspirador dessa postura.
* Uma postura individualista
- Vivendo em um mundo sem referentes norteadores para sua existência, o ser humano pós-moderno volta-se cada vez mais para si mesmo.
* O humor
- A vida em uma sociedade voltada para o consumo traz inequívocos;
 a principal delas é a tentativa incessante de fazer com que o ser humano relaxe, viva de maneira mais descontraída. 
Para tanto, investe-se no humor e no erotismo, como meios de tornar menos dramático e moderna, encontrar temas 'sérios' tratados com humor.
                                                       

                                                        

                                           O movimento Romântico
O romantismo foi um movimento político, filosófico e principalmente artístico que surgiu nas ultimas décadas do sec XVII , primeiramente na Alemanha, na frança e na Inglaterra, que ficou ainda uma grande parte do século XIX. O romantismo constitui numa transformação estética desenvolvida em oposição a tradição neoclássica setentista e inspirada em modelos medievais, caracterizando-se como uma visão contrária de mundo, ao racionalismo, buscando um nacionalismo que viesse a consolidar os estados nacionais na Europa.
 Nesta época o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política surgia o liberalismo político, na sociedade imperava o inconformismo e no que se diz ao campo artístico, havia repúdio ás regras.O romantismo veio a se manisfestar de formas bastantes diferentes nas artes, na literatura e na música, apesar da censura da época.
 As características centrais do romantismo são o lirismo, o subgetismo, o sonho de um lado, o exagero, o exótico, o nacionalismo, a idealização do mundo e da mulher, pois ela  era musa, era amada e desejada, mas não tocada.Depois foi também notados o pessimismo e um certo gosto pela morte, religiosidade e naturalismo.Segundo Hibbard, podem-se apontar as seguintes qualidades para o espírito romântico: 

O individualismo, onde se é totalmente pessoal e intima.
O Ilogismo, pois não tinha oscilações nas emoções.
O senso de mistério, Onde ele é atraído pelo mistério da existência.
O escapismo, é o desejo do romântico de fugir da realidade para um mundo idealizado.
O reformismo, que é a busca por um mundo novo.
O sonho é o desejo representado por mitos e símbolos. 
A fé, o que comanda o espírito romântico.
O culto a natureza, representada como o lugar de refugio, puro, não contaminado pela sociedade.
O retorno ao passado, onde se idealizava uma civilização diferente da presente.
O pitoresco, o espaço atraía o romântico, as florestas, as longes terras, as diferentes fisionomias. 
O exagero, que era simbolizado por um mundo de perfeição e sonho. Além disso, o romantismo distingue-se ainda por traços, formas e estruturas.
 Finalizamos nosso pequeno apanhado, salientando que o romantismo cultivou principalmente a poesia lírica, o drama e o romance, seja social e de costumes, psicológicos e sentimental, gótico e de aventuras, histórico, de tema nacional ou medieval.