quarta-feira, 18 de novembro de 2015

                                              
                                              
                                            Luto infantil


Que tristeza é essa que leva no olhar, criança?
Que trás todas as dores estampadas neles
De uma inocência roubada
De um corpo não mais imaculado
Tens o torso franzino
As mãos calejadas
Os olhos apagados
E a vida abalada
Que viver padecido tem essa criança
Pela janela sua felicidade foi embora
Junto com ela, sua infância de outrora
É obrigada a crescer rápido
Pois responsabilidades e atribuições lhes são atribuídas
Estão espalhadas por todos os cantos
Nos canaviais
Nas lavouras
Nos semáforos
Nos bordéis
E nos madrigais
Sua honra foi tirada
Seus sonhos roubados
Seus caminhos interrompidos
Por uma bala perdida
Essa pobre criança sofre calada
Seu coração está de luto
O soluço fica preso na garganta
Seu corpo nem reage mais as violências
Ao estupro de sua dignidade
E pouco a pouco matam a sua alma
Que mundo promissor e esse criança ?
Que te garantiu divertimento e atenção
Dizendo que era direito seu ter proteção
Mais não cumpre com seu dever
De você faz escravo
Da " pátria amada "
Aonde ficaram as brincadeiras
Os momentos de lazer
Os contos de carochinha
E estudo pra você
Junto-me ao seu luto
Pois vejo em nações
Corpos de crianças lançadas ao mar
Corpos decapitados pela guerra
Crianças exploradas no trabalho
E sua vida a passar
Sinto seu pesar, criança
Porque o respeito a ti e o amor
Não existem mais
Você sofre calada
Oprimida e indefesa
Desejando só um pouco de hombridade e paz 
                                                         


                                                    
                                               Lado opostos


Pensei que fosse igual a mim
Me enganei
Sou paz, VC guerra
Sou verdade
VC ilusão
Faço amor
VC guerra
Sou emoção
VC razão
Somos os lados opostos de uma moeda
VC é de farra
Eu, solidão
VC ama a metade
Eu sou inteira
VC ama o dia
Eu me encanto com a lua
Acreditei que fosse intenso como eu
Mas não é, eu sei
Eu sou melodia
VC azaração
Sou encantamento
VC ilusão
Sou o início
VC o fim
Eu quero vida
VC distração

                                          


                                  

                                                 Negar


Porque será que é mais fácil magoar
Do que se entregar
Preferir negar 
Do que amar
Usar um escudo do de sentimentos
E satisfazer os momentos
Usar de ironia
Quando na verdade quer gritar
Pra que se afastar
Se o que quer é ficar
Porque proferir palavras cruéis
Se declarar é o que quer
Silenciar
Maltratando o coração
Trancar sua vida
Falando um pouco mais
Deixando a verdadeira intenção pra trás
Se me deseja porque não deixar
Esse sentimento lindo aflorar
Pois estando perto de mim, lhe falta o ar
Pra que se esconder
Se minha felicidade está com Vc
Fazer joguinho de palavras
Me fazendo sofrer
Mudar seus planos
E não viver
Não permitir que o amor entre
Adormecer
Magoar dois corações
E assim, morrer




                        




Sem ânimo



Tudo está conforme a lei da natureza
O céu límpido, as árvores floridas
O mar em calmaria
E eu não sou a mesma

Há um cansaço, uma diferença
Uma parte invisível em mim
Estou noutra dimensão

...e tudo continua o mesmo...
Não sei porque estou sem ânimo
Se é porque não estais aqui
Ou falta do canto do serafim

Qual motivo da minha tristeza hoje
Eu contínuo sozinha
Mergulho em lembranças
E me bate uma esperança

...e tudo continua o mesmo...
Não ouço os sinos da igreja
Não escuto o barulho do metrô
Os vendedores estão em silêncio
Talvez respeitando minha dor

...e tudo continua o mesmo...
Vejo tua imagem no horizonte
Mas ela nem quero mais
Quero só saúde e sossego
Associados ao amor e paz

E tudo continua o mesmo.
 







 Despedida


A hora chegou, é o momento de partir
Vem o abraço, abrigo
Um beijo triste
E um olhar perdido no horizonte

É hora de ir, de calar
As lágrimas teimam em cair
No peito o coração sangra
E a pulsação vai explodir

Última chamada, não há retorno
Na distância só as lembranças ficam mais vivas
A dor dilacera a alma
E os passos mais lentos

Calam-se os labios e as mãos gelam
Faz-se um silêncio constrangedor
O tempo está cinzento
Não existe cor

É agora, e as palavras não foram ditas
Ficou a interrogativa
Nos distanciamos
E a desilusão é o que sobrou de um dia

A despedida é o amor não correspondido
É o vazio
É a separação
De uma solidão anunciada