INDAGAÇÕES
Quando foi que as pessoas deixaram de se amar?
De se respeitar?
Em que tempo da história o egoísmo começou a imperar?
Quando os bens materiais começaram a valer mais que os homens?
Em que momento a maldade entrou na alma humana?
Em que época da história o fim de uma vida veio antes do meio?
Quando foi que a inveja reinou sobre a generosidade?
É preciso reavaliar as atitudes
Rever novos conceitos
Para que exista uma continuidade de uma humanidade sã
- Claudynha Nô
TALVEZ NÃO GOSTE
Não sou poetisa
E nem o quero ser
Poetisas falam de sofrimento
E eu tenho medo da dor
Mesmo sabendo que faz parte da nossa existência
Porventura a poetisa através da pena
Transcreva e transforme a dor
Na mais cristalina e singela poesia
Talvez não goste de poetisa
Parecem que me conhecem
Desvendam-me
Despojam-me diante de ti
Como a dois amantes
Numa fúria
Num coito final
Como pode estas poetisas ter tanta liberdade sobre mim!
- Claudynha Nô
ROSA
Tu dizes para mim
Que nesta ribalta eu interpreto a mendacidade
Pois lhe digo com maior veracidade
Que quando eu for para outro reino
No final do espetáculo da vida
O rei me agraciará com rosa vermelha
Sem espinho
- Claudynha Nô
POETA
O poeta descreve sua tragédia
A sua alegria
E a sua própria fantasia
Esconde-se nos poemas que escreve
Nos espaços que ficam subentendidos
E no sorriso que não dá
O poeta assemelha-se ao um palhaço
eles parecem ser um só
pois têm que esconder a tristeza para fazer feliz outrem
Brincam de tragicomédia
Neste círculo vital da vida!
- Claudynha Nô
DOR
A MINHA DOR NÃO É MAIS E NEM NENOS QUE A SUA
ELA NÃO TEM TAMANHO,
NÃO TEM SEXO,
NÃO TEM ETNIA,
NEM COR
DOR
SENTIDA NA ALMA
É APENAS DOR
- Claudynha Nô